Site para cardiologista: o que não pode faltar
O paciente cardiológico é diferente. Ele não acorda querendo um cardiologista — ele acordou com um aperto no peito, ou o check-up da empresa apontou colesterol alto, ou o clínico pediu uma avaliação antes da cirurgia do joelho. É uma busca com urgência contida: ele quer resolver, mas quer resolver com quem transmite segurança.
E a primeira coisa que ele faz é pesquisar no Google. Se o seu site não aparece, ou aparece e demora a carregar, ou carrega e não responde nos primeiros segundos “este médico atende o meu caso, aceita meu convênio e tem horário” — ele volta e clica no próximo resultado.
A concorrência também não é só o colega do bairro. É o marketplace com SEO industrial, é o site institucional do hospital onde você atende, é o perfil de Instagram que parece mais ativo que o seu site parado desde 2022.
Este guia lista o que um site de cardiologista precisa ter para transformar essa pesquisa em consulta agendada — dentro das regras do CFM e sem depender de intermediário.
O que não pode faltar no seu site
1. Identificação com nome, CRM e RQE
Antes de qualquer coisa: nome completo, número do CRM com o estado, a palavra MÉDICO e a especialidade seguida do RQE. Não é recomendação de marketing — é o art. 4º da Resolução CFM nº 2.336/2023, que exige esses dados em toda peça de publicidade médica, e o art. 6º, que manda colocá-los na página principal do perfil quando o canal é uma rede social.
Na prática, isso significa a assinatura completa no rodapé de todas as páginas e na sua página “Sobre”, não escondida num PDF de currículo.
Dr. Marcos Prado — MÉDICO — CRM-SP 98.765 — Cardiologia — RQE 4321
2. Especialidade declarada — apenas com RQE
O art. 4º, II permite divulgar a especialidade “quando registrada no CRM”, seguida do RQE. Sem registro, você não se anuncia como cardiologista.
E há uma armadilha específica da cardiologia, que é o art. 11, I: sem o RQE, divulgar que “trata do coração”, “cuida de hipertensão” ou “acompanha arritmia” induz à confusão com a divulgação de especialidade — e a vedação alcança exatamente esse contorno. Pós-graduação em cardiologia, sem título de especialista, só pode ser divulgada seguida de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta (art. 13, §1º, d).
3. Os exames e procedimentos que você realiza
Essa é a página que mais converte e a que mais falta. O paciente cardiológico chega frequentemente com um pedido na mão — “preciso de um ecocardiograma”, “o convênio autorizou o MAPA” — e quer saber se você faz.
Liste com o nome técnico e o nome popular, porque as duas buscas existem: consulta cardiológica, check-up cardiológico, eletrocardiograma, teste ergométrico (ou “teste de esforço”), ecocardiograma, Holter 24h, MAPA, avaliação de risco pré-operatório.
Para cada um, informe o que muda a decisão de agendar: se é feito no consultório ou encaminhado, se precisa de preparo, quanto tempo demora, se você entrega o laudo na hora. E cuidado com o art. 11, II: pode divulgar o equipamento com as indicações do portfólio da Anvisa (art. 9º, II e IX), mas não atribuir a ele capacidade privilegiada. “Ecocardiógrafo com Doppler colorido” informa; “o aparelho mais moderno da região” é infração.
4. Convênios, particular e valores
O art. 9º, V permite divulgar o portfólio de atendimento, incluindo planos e seguros-saúde. O art. 9º, VI permite informar o valor da consulta e as formas de pagamento — em texto literal, desde março de 2024.
Use os dois. “Quais convênios você atende?” é provavelmente a pergunta mais feita ao telefone do seu consultório, e cada ligação que ela gera é uma consulta que quase não aconteceu. Liste os convênios em texto (não em imagem — buscador não lê logotipo), diga se atende particular, informe o valor e as formas de pagamento, e explique se emite recibo para reembolso. Reembolso, aliás, é decisivo para boa parte do público cardiológico com plano de menor cobertura.
5. Localização, mapa e SEO local
“Cardiologista em [cidade]” e “cardiologista perto de mim” são as buscas de maior intenção da especialidade. Para aparecer nelas, o básico precisa estar no lugar: cidade e bairro no <title>, no H1 e no texto da página; endereço completo em texto; mapa incorporado; referência de como chegar e onde estacionar (o art. 9º, V cobre expressamente estacionamento, segurança, privacidade, conforto e localização).
E o perfil no Google Meu Negócio precisa existir, estar verificado e apontar para o seu site — com o mesmo nome, endereço e telefone que estão nele. Divergência entre os dois é o erro de SEO local mais comum e o mais fácil de corrigir.
6. Agendamento que funciona no celular
O paciente cardiológico agenda no celular, muitas vezes fora do horário comercial, muitas vezes por alguém da família. Botão de WhatsApp e telefone clicável no cabeçalho e no rodapé, formulário curto, e um caminho claro para retorno e para urgência.
O art. 9º, IV permite divulgar a forma de marcação, os horários de atendimento e a dinâmica de funcionamento do consultório. Aproveite: diga quanto tempo dura a consulta, o que levar (exames anteriores, lista de medicamentos), e em quanto tempo alguém responde.
7. Conteúdo educativo sobre o que o paciente pesquisa
Antes de procurar um cardiologista, o paciente pesquisa o sintoma. “Pressão 15 por 10 é grave”, “quando fazer um check-up cardiológico”, “o que é fibrilação atrial”, “quanto tempo dura o efeito da estatina”.
Responder essas perguntas no seu site é o que faz você aparecer para quem ainda não sabe que precisa de você — e é conteúdo expressamente amparado pelo art. 14, I, que permite material direcionado à população sobre doenças e procedimentos, inclusive com imagens quando necessário para informar sobre sinais e sintomas que recomendem avaliação médica.
O limite está no art. 11, XVI e no §2º, e: informar sem alarmar. “Você pode estar com o coração falhando e não sabe” é exatamente o gatilho de medo que o dispositivo veda, ainda que o fato subjacente seja verdadeiro.
8. Dados estruturados e velocidade no mobile
Duas camadas invisíveis que decidem muito.
Dados estruturados: especialidade, endereço, horários, telefone e perguntas frequentes publicados em formato que buscadores e assistentes de IA leem. É o que faz sua informação aparecer no painel lateral do Google e nas respostas do ChatGPT quando alguém pergunta por um cardiologista na sua cidade.
Velocidade: a maior parte dos acessos a conteúdo de saúde acontece no celular, e boa parte em 4G irregular — sala de espera, transporte, corredor de hospital. Site que passa de dois segundos para exibir o conteúdo principal perde visitante antes de existir. Foto pesada de banco de imagem e player de vídeo na home são os dois maiores culpados.
Erros comuns em sites de cardiologistas
Site institucional sem médico. Página que fala “nossa clínica”, “nossa equipe”, “atendimento humanizado” e nunca diz quem atende. O paciente cardiológico está escolhendo uma pessoa em quem confiar o próprio coração — literalmente. Nome, foto, formação e RQE em destaque.
Depender só do marketplace. O perfil ranqueia no lugar do seu site, com os concorrentes listados ao lado, e o paciente fica com a plataforma. Comparamos os dois modelos em detalhe no artigo sobre Doctoralia vs. site próprio.
Texto genérico e intercambiável. “Atendimento humanizado”, “equipe multidisciplinar”, “tecnologia de ponta” — frases que servem para qualquer médico não vendem nenhum. Específico converte: tempo de consulta, quais exames são feitos no local, prazo de laudo, se você acompanha o paciente entre consultas.
Sem cidade em lugar nenhum. Site bonito que nunca escreve o nome da cidade não aparece para “cardiologista em [cidade]” — que é a busca que traz paciente com intenção de agendar.
Depoimento de paciente mal usado. Repostar avaliação com superlativo ou promessa de resultado transforma o elogio dela em publicação sua (art. 8º, §3º), e o art. 14, II, g exige que depoimentos sejam sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade.
Seu site, seu paciente
Um site bem feito não é cartão de visitas. É o único canal em que o paciente te encontra, entende o que você faz e agenda sem intermediário — sem comissão, sem avaliação pública que você não controla, sem depender do algoritmo de terceiro.
A Tenko Sites gera esse site em cerca de 10 minutos, a partir de uma conversa, com o validador CFM 2.336 rodando em cada texto antes de publicar e com a estrutura que faz você aparecer nas buscas do Google da sua cidade e nas recomendações dos assistentes de IA.
Este artigo faz parte do hub Site para médico por especialidade. Sobre as regras de publicidade citadas aqui, veja o guia da CFM 2.336/2023.
Aviso: as citações da Resolução CFM nº 2.336/2023 são educativas e não substituem a leitura da norma nem a consulta à Codame do seu CRM (art. 13, V). Quem escreve e como conferimos as citações: política editorial.